Em 2010, o Campeonato do Mundo de Futebol realizar-se-à pela primeira vez no continente africano. A África do Sul terá o privilégio de receber o maior espectáculo do mundo, mas esta honra será acompanhada pela responsabilidade de contrariar as dúvidas em relação à falta de capacidade organizativa e de infra-estruturas do país.

Ao mesmo tempo que no país mais meridional do continente se vai disputar um espectáculo milionário, em estádios modernos e protagonizado pelos melhores futebolistas do mundo, em vários pontos de África a bola vai rolar com a alegria de todos os dias, pontapeada por pés descalços e ameaçando balizas improvisadas com pedras e montes de terra. A par do campeonato da FIFA muitos outros pequenos campeonatos vão disputar-se nas areias do Sahara e nos musseques de Luanda, na selva dos Camarões ou nas ruas de Dacar. Este é um trabalho sobre esses campeonatos anónimos, sobre o verdadeiro futebol africano.

“Road to World Cup” é uma viagem de uma bola de futebol pelo coração do continente africano com paragens obrigatórias nos locais onde mais se vibra com este desporto. A bola será transportada por uma equipa de jornalistas pelo vasto continente, mas o objecto de reportagem serão todos os pés desconhecidos que nelas tocarem. Aproveitando a melhor faceta deste desporto, a universalidade da sua linguagem, os jornalistas poderão acompanhar as vidas das pessoas que encontrarem durante os jogos, penetrando naquele que é o principal desafio das suas existências: o regresso a casa depois do apito final.

Nomes como o de Eusébio, George Weah, Didier Drogba, Samuel Eto’o, Jay-Jay Okocha, Michael Essien ou Frèdèric Kanouté fazem hoje parte do vocabulário universal do futebol, mas tempos houve em que se misturavam com os de outras crianças em desafios imaginários sobre terra vermelha. E quantos talentos como estes passam despercebidos num continente onde tantas crianças se agarram a uma bola como a uma tábua de salvação para fugir a uma vida de pobreza e de miséria?

De Lisboa a Joanesburgo, rumo ao mundial com um esférico na bagagem. A equipa composta por um jornalista, um fotógrafo e um repórter de imagem vai percorrer milhares de quilómetros, relatando todos os episódios da odisseia. Pretende-se chegar ao fim com a bola assinada pelos diferentes jogadores descobertos pelo caminho e entregá-la à FIFA antes do início do torneio para homenagear todos os desconhecidos futebolistas africanos ausentes de um mundial que, na verdade, é também dedicado a eles.

O acompanhamento desta viagem será feito através de actualizações permanentes no site de viagem ou num blogue de um meio de comunicação e de reportagens semanais que relatem as histórias, os cenários, os jogos e as peripécias vividas. Será também realizado um documentário final e um livro com a compilação das histórias mais surpreendentes da viagem.